EDUCAMAR

Educamar

CONFERÊNCIA NO FUNCHAL

OLHAR A REDE QUE UNE
PAIS, FILHOS/ALUNOS E PROFESSORES.

– visão da pedagogia e terapia sistémicas

Todos os dias ocorrem conflitos. Estes surgem quando precisamos de nos impor. Ajudam-nos a crescer, a encontrar a melhor solução, a ampliar as nossas fronteiras. Em última análise, contribuem para a paz e segurança.

A família e a escola constituem dois grandes sistemas, talvez os mais marcantes e importantes, dos quais fazem parte o indivíduo, desde que nasce, moldando e construindo toda uma rede intricada de pensamentos e ações e onde ocorrem conflitos, pelos mais diversos motivos.

Desde o início, há uma necessidade de nos integrarmos num grupo, de uma tal forma que nos sentimos incompletos e perdidos fora dele, sobretudo quando não nos podemos associar a outro grupo parecido. Naqueles grupos fundamentais para a nossa sobrevivência, enquanto indivíduo, cada parte está ao serviço do todo, isto é, todos sentem que pertencem ao todo e que lhe são, de alguma forma, devedores. Por isso, quando é preciso, também estão dispostos a se sacrificarem por esse todo, pois é somente no todo que o sujeito atinge a sua plenitude e sobrevive, qualquer que seja o preço.

Dessa maneira, a consciência serve menos à sobrevivência do sujeito do que à do grupo. Ela é, acima de tudo, uma consciência grupal. Só quando alcançamos a perceção de tal facto é que entendemos muitos dos comportamentos que ocorrem em nós e nos outros que, de outra forma, nos pareceriam desajustados.

É a esta consciência de grupo, e sobre as forças que nele atuam, que o psicoterapeuta alemão Bert Hellinger se tem dedicado, criando, ou recriando, um método terapêutico denominado Constelações Familiares Sistémicas, que mais tarde se expandiu, abarcando empresas e organizações como as escolas. Através do seu trabalho observou de que forma as leis do amor são capazes de influenciar todo um sistema familiar e ainda, como atuam inconscientemente, ou invisivelmente, no comportamento de cada elemento sob uma forma benéfica ou desequilibrada, aspeto a que denominou de “emaranhamento sistémico” (termo utilizado pelo terapeuta para retratar esta questão).

Toda a aprendizagem desta terapia sistémica está agora ao alcance do sistema escolar – através das constelações educacionais.

Na abordagem desta pedagogia sistémica é possível sermos conduzidos a uma nova compreensão dos alunos, pais e professores, percebendo a forma como as crianças estão inseridas nas suas famílias e quais os movimentos sistémicos que atuam e levam a criança a agir de determinado modo. Estudos recentes parecem revelar que existe uma herança que vai para além do campo genético, uma herança emocional e comportamental, que cria vínculos entre pais e filhos, levando a que os últimos repitam comportamentos, muitas vezes inconscientes, através de uma força que tem sido denominada de “lealdade sistémica” ou “necessidade de pertencimento.”

Reconhece-se, desta forma, o esforço que as crianças empregam, constantemente, para estabelecerem uma ponte entre as suas vidas familiares e escolares, e é apenas quando os professores honram este esforço que a aliança se transforma numa força frutífera.

Para tal, os professores/educadores têm de abrir o coração às famílias dos alunos, permitindo-lhes “entrar” nas salas de aula como uma presença invisível e permanente.

A investigadora, professora sénior na Alemanha e facilitadora de Constelações Familiares Marianne Franke-Gricksch, conseguiu, nas suas observações, e de forma gradual, perceber nas crianças os representantes das suas famílias, com as suas leis, as suas próprias dinâmicas e as suas tarefas particulares – “Os alunos mostravam-me constantemente que estavam comprometidos de um modo profundo com as suas famílias e davam inabalável prioridade a essas dinâmicas.”

As crianças conseguem suportar mais facilmente a insegurança que advém desse novo campo – escola – assim como através do aprendizado em si, quando são reconhecidas por tudo o que trazem consigo. Então a escola não é uma melhor alternativa do que a vida em casa, mas um enriquecimento do que já existe. O respeito que os professores têm pela criança não é mais que o respeito pela sua família de origem e isso também inclui o respeito por toda a família, não importando se, do nosso ponto de vista, isso atua de uma forma que fomenta ou obstrui o seu desenvolvimento e sua disposição para aprender.

O pensamento sistémico inclui o conhecimento de que o aluno e os professores estão conectados às suas famílias de origem (e às ideias e regras desse sistema).

Ser parte do “sistema escola” significa que a escola, enquanto instituição, faz parte de todos os sistemas familiares que estão conectados a ela ou, usando imagens, que as famílias de origem de todos os alunos e professores representam subsistemas de uma escola.

Nas salas de aula e nas equipas de professores estão representadas essas leis familiares que são seguidas, muitas vezes inconscientemente, por alunos e adultos, e o simples respeito pelas famílias pode ser uma peça fundamental para o crescimento de um campo social e sanador nas turmas.

Desta forma, as famílias atuam na escola e a escola nas famílias. Assim, não podemos distinguir completamente onde o “sistema família” termina e o “sistema escola” começa.

Quando o todo (escola) se abre a esta consciência e se posiciona lado a lado com toda a profundidade e respeito pela vivência individual, nasce o verdadeiro EDUCAR capaz de acolher e orientar com consciência e maturidade.

Em última instância, o conceito de individualidade dilui-se nesta rede sistémica composta por pressupostos e leis invisíveis que, quando trazidas à tona, revelam um novo mundo e uma nova perceção de quem é o aluno, os pais e o professor e de que forma estas 3 peças se podem articular, em equilíbrio, com um objetivo comum, curando qualquer conflito.

É com o intuito de abordar e esclarecer esta temática que, no próximo dia 19 de Abril, pelas 18:30h, terá lugar, na Escola EB1/PE da Achada-Funchal, uma conferência intitulada “EducAmar”, dirigida pelo psicoterapeuta transpessoal sistémico – José Miguel Oliveira e Silva – membro e tutor da Escola Espanhola de Desenvolvimento Transpessoal.

Com anos de estudo dedicado à área sistémica, José Miguel Silva irá abordar, à luz de um novo paradigma da educação, de que forma pais, alunos e professores podem compreender os conflitos educacionais do dia-a-dia e criarem novas alianças pedagógicas que beneficiarão o crescimento e desenvolvimento da criança, instaurando um equilíbrio consciente no ambiente escolar e familiar.

Deixa uma mensagem