A Roda da Felicidade

Int: Posso evitar esta dilatada batalha com a minha mente?
Mah: Sim, podes. vive a vida tal como ela vem até ti, porém sempre em alerta, sempre vigilante, permitindo que tudo aconteça tal como acontece, fazendo as coisas naturais de forma natural… sofrendo, regozijando-te, tal como vem até ti! Isso também é uma vida!
Int: Bem, então posso casar-me, ter filhos, abrir um negócio… ser feliz!
Mah: Certamente! Podes ser feliz ou não, toma-o a teu gosto.
Int: Mas eu quero a felicidade!
Mah: A verdadeira felicidade não pode ser encontrada nas coisas que mudam e desvanecem… O prazer e a dor alternam inexoravelmente. A felicidade advém do Si Mesmo e apenas pode ser encontrada em si mesma! Encontra o teu Si Mesmo real (swarupa) e tudo o resto virá com ele!
Int: Se o meu Si Mesmo real é paz e amor, porque está tão inquieto?
Mah: Não é o teu Si Mesmo real que está inquieto, mas o seu reflexo na tua mente aparece inquieto…  porque a mente é inquieta. É como o reflexo da lua na água agitada pelo vento. O vento do desejo agita a mente, e o “eu”, que não é mais que um reflexo do Si Mesmo na mente, aparece alterado. Mas essas ideias de movimento, de inquietude, de prazer e de dor estão todos na mente! O Si Mesmo está mais para lá da mente, presenciador, consciente, mas não implicado.
Int: Como alcançá-lo?
Mah: Tu és o Si Mesmo aqui e agora. Deixa a mente em paz, permanece consciente e não implicado e dar-te-ás conta de que estar em alerta mas desapegado, observando como os acontecimentos vêm e vão, é uma característica da tua natureza Real.

Sri Nisargadatta Maharaj

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Nisargadatta nas suas palavras convoca-nos a transcender a mente como chave da nossa própria felicidade. Um movimento maduro e consciente de nos re-colocarmos onde a impermanência da vida seja a própria vida.

Entremos neste convite… sintamos a “Roda da Fortuna” como metáfora da vida e percebamos que quando estamos na periferia sentimos a euforia da alegria (topo), e o sofrimento da dor (base), já que, no fluxo desta grande roda o movimento de ascensão e de queda é inevitável.

Rodar nesta roda requer que nos coloquemos no CENTRO. Desde aí podemos ser NÓS MESMOS, observando e compreendendo o movimento que nos toca – e que toca a todos – deixando para trás os dolorosos padrões de quem se repete, nos lugares onde não habita a nossa felicidade.

Deixar a mente em paz não requer que a expulsemos… simplesmente que a permitamos ser como é, cumprindo-se a cada instante. Porém rendamo-nos à experiência desidentificada e deixemos a própria experiência livre para sermos TAL COMO SOMOS!

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