Constelações familiares: O Sentido de Vida e o Lugar

Qual é o teu sentido de vida?

Não é incomum escutarmos esta pergunta quando trilhamos um caminho de autodesenvolvimento. Allan Watts diz que o sentido de vida é estar vivo. É tão claro, tão óbvio e tão simples. Mesmo assim, acrescenta o autor, todo mundo não para de correr em pânico, como se fosse necessário conseguir alguma coisa além de si próprio. Florbela Espanca, de uma forma mais metafórica, descreve que “Se penetrássemos o sentido da vida seríamos menos miseráveis”.

Ao juntarmos as palavras de um filósofo inglês com as de uma poeta portuguesa, emerge a questão fundamental, na qual, por um lado, o sentido de vida é a existência per si e, por outro, a necessidade de fazer uma travessia até alcançar esse lugar interno – claramente num movimento trans-pessoal.

Qual a visão das constelações para o sentido de vida?

Para as constelações, na sua abordagem experiencial e fenomenológica, não surgem dúvidas quanto ao sentido de vida, mostrando que o mesmo não se manifesta sem que antes ocupemos o nosso LUGAR. Assim, antes do sentido da vida precisamos primeiro encontrar o LUGAR perante a vida.

E qual é então o nosso lugar perante a vida?

Basta que vejamos de onde recebemos a vida – desde um Pai e uma Mãe e, por isso, o primeiro lugar é como filhos. Filhos de uma unidade (pai e mãe), e não filhos apenas de um, só de metade de um, ou até de nenhum.

Qual a importância de tomar os pais?

Tomar os pais é um conceito fundamental para as constelações porque se liga diretamente com o mesmo movimento de tomar vida. Quando assim o fazemos, tomamos o lugar, e é daí que nasce o sentido da vida. Na consciência pessoal todos nós gostaríamos que os nossos pais fossem diferentes, melhores, perfeitos talvez e, com isso, perdemos o contato com a realidade, acabando por nos desligar do sentido de vida. Não se trata de uma observação moral do “respeito aos pais”, mas uma questão essencial no qual esse respeito confere à nossa identidade a liberdade de seguirmos a Vida com confiança.

Estes dois símbolos, pai e mãe, oferecem os significados mais importantes para a jornada de vida – a mãe representa o mundo interno e reflete-se na capacidade de sentir vida, sentir emoções, criar projetos internamente, acolher e ter prazer; e o pai reflete o mundo externo, o “ir para fora”, a autoestima, o mostrar quem sou, expressar-me e o dar forma aos projetos e criações. Esses símbolos estão fortalecidos quando tomamos pai e mãe tal como eles são, sabendo que o que nos deram basta para sermos e fazermos da nossa vida o que quisermos e pudermos.

Experimentemos o exercício de apreciar a qualidade da nossa vida interna – emocional, sentimental, criativa, compassiva (mãe); ou da nossa vida externa – autoestima, realização, concretização (pai) para em seguida, e em verdade, sentirmos como nos ligamos a um e a outro. Talvez esteja na altura de nos movermos primeiro às raízes antes de reclamarmos felicidade abundância, prosperidade, dinheiro, realização e amor. Procurar fora, através de exercícios de empoderamento sem antes contemplar o valor da raiz corremos riscos de perpetuar a permanente dificuldade em sentir que há um lugar para cada um de nós.

Talvez assim deixemos de vez a miséria de Florbela Espanca e entremos na vida de Allan Watts.

 

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