Deixa a mudança entrar.

Como jovens adultos, deixar o ensino médio e mudar para o ensino superior representa já uma enorme mudança nas nossas vidas. Quando, neste caso, a nossa vida apresenta mudanças, como viver distantes da família, a maioria das pessoas sentem excitação e entusiasmo por essa jornada de se tornar adulto. Mas o que acontece se a mudança for muito maior? Detemo-nos e voltamos a cara para o lado? Ou abraçamos a mudança com toda a entrega?

A mudança é crucial na vida e em qualquer relacionamento. Às vezes a vida joga-nos para experiências que aparentemente não estávamos à espera. Contudo, precisamos aprender a dar as suas boas-vindas na nossa vida. Para mim, ver as pessoas moverem-se em direção a coisas maiores e melhores traz-me esperança – não apenas para elas, mas para mim também. Eu sei que se elas são capazes de se empenhar e ter sucesso, eu poderei prosseguir fazendo o mesmo. Recomendo que observemos as pessoas que à nossa volta estão a crescer para que possamos sentir essa inspiração. Contrariamente, manter um olhar negativo e fechado em relação a si e aos outros não será a atitude mais saudável, já que se não acreditarmos que somos capazes de fazer algo, então provavelmente não seremos.

É certo que a mudança chega em muitos formatos na nossa vida e ela é totalmente inerente à nossa existência. As células multiplicam-se, o corpo avança, as competências surgem e as transições decorrem a cada segundo. Ela não é externa a nós, nem tampouco uma fatalidade negativa. É também interna e pode ser avassaladora, já que pode chegar na forma de um acontecimento trágico, de escolhas difíceis, relacionamentos devastados. Porém, a mudança acontece para que possamos ser, e tornarmo-nos em quem somos em cada etapa da vida.

De que lado ficamos quando a mudança acontece?

Do lado de fora da vida culpabilizando o mundo e os outros? Dentro de nós arrasando o amor próprio com críticas e argumentações fantasiosas sobre as nossas incapacidades? Ou encaramos a mudança como um processo de transformação e crescimento com grandes oportunidades de auto-conhecimento?

Claro que existem mudanças demasiado bruscas às quais necessitaremos de tempo para que os devidos ajustes aconteçam. E temos todo o tempo do mundo para isso. O nosso tempo. Ainda assim, não podemos ficar “de fora” eternamente.

Dizer SIM à mudança.

Um dia teremos que crescer e dizer SIM à mudança. Ao que mudou, ou ao que está para mudar. Dizer sim ao fim de uma relação que apesar de estável não nos preenche; à mudança de um emprego que apesar da estabilidade financeira não nos realiza; a uma formação que queremos fazer mas que tememos não sermos capazes de sustentar; ou até mesmo a um acontecimento difícil, um diagnóstico de saúde ou a perda de um sonho.

Honremos a coragem que existe em cada um de nós, devagar… devagarinho se preciso… mas honremos. Ela está em nós e sussurra-nos o SIM… deixa entrar!