AS ORDENS DO AMOR E O VÍNCULO

“QUANDO COMPREENDEMOS as leis sistémicas que permitem que o amor aflore, podemos conseguir ajudar pessoas e famílias que sofrem a encontrar soluções. É profundamente comovente observar os clientes aproximarem-se da Ordem do Amor e, espontaneamente, se entregarem a um sentimento amoroso suave e profundo, às vezes após uma vida inteira de ódio, raiva e abuso. Citação de “A Simetria Oculta do Amor”, de Bert Hellinger.

O QUE SÃO AS ORDENS DO AMOR?

Foi na sua terapia sistémica que Bert Hellinger descobriu que o sistema familiar, como acontece em qualquer outro sistema, tem sua própria ordem natural. E que, quando essa ordem não é respeitada, os efeitos são sentidos nas gerações seguintes à medida que o sistema procura retornar à ordem. Parece haver algumas leis naturais que funcionam para manter a ordem e para fazer com que o amor flua livremente entre os membros de uma família.

De acordo com a terapia sistémica de Bert Hellinger, a harmonia na vida em família acontece quando cada um de seus membros ocupa o seu lugar de direito, assume os seus papéis na vida, cuida de si mesmo e evita interferir no destino de outro.

A maioria das dificuldades pessoais e dos problemas de relacionamentos decorrem de desordens nos sistemas familiares. Essas desordens acontecem quando, sem termos consciência ou intenção de fazê-lo, incorporamos nas nossas vidas o destino de outras pessoas que, às vezes, viveram num passado distante. Isso faz com que repitamos o destino de membros da família que foram excluídos, esquecidos ou cujos lugares não foram reconhecidos.

Tentamos viver esse destino para eles ou criamos infelicidade nas nossas vidas para diminuir a nossa “culpa”.

 

O poder do vínculo

Assim como uma árvore não determina onde cresce, e se desenvolve de forma diferente em campo aberto ou num bosque, no vale protegido ou na montanha exposta, assim também uma criança se submete ao grupo de origem sem questionar. Adere a ele com uma força e uma persistência só comparáveis a um carácter. A criança experimenta esse vínculo como amor e felicidade, quer ele possa florescer, quer ele tenha de murchar no grupo.” – Bert Hellinger

No seu processo de crescimento, a criança, movida pela força da Vida, constrói novos vínculos que lhe permitirão dar continuidade ao que recebeu dos seus pais… porém, idealiza sistemicamente o parceiro(a) amoroso – inconsciente de que, também ele(a), está condicionado pelas suas pautas e padrões familiares. Deste (des)encontro, muitas vezes nasce o descontentamento e a desilusão permanentes.

O vínculo familiar contém ainda a força de uma doença, de um acidente, de um suicídio… de pobreza, de divórcio ou de infelicidade. Acontece quando INCONSCIENTEMENTE estamos a dar continuidade a uma linguagem que está presente no sistema ao qual estamos vinculados. É o princípio evidente da dificuldade em sermos desonestos numa família honesta, e da mesma forma, ricos numa família pobre.

O amor capaz de criar sofrimento é o mesmo que traz consigo a sabedoria da solução, assim que se torna consciente ao emergir no decurso da configuração de uma Constelação sistémica ou familiar.