O QUE SÃO AS CONSTELAÇÕES FAMILIARES

As constelações familiares, ou sistémicas, são uma metodologia que permite ao cliente / paciente a possibilidade de olhar, ver, sentir, percecionar ou perceber o que está por trás de uma determinada questão / sintoma / tema.

Parte-se do princípio psicodinâmico de que uma parte da realidade é experienciada pelo consciente e outra por vivências psíquicas inconscientes. “O que está por trás” tem o sentido de encontrar a vivência do inconsciente, dar-lhe voz, nomear e sentir.

Apesar de inicialmente denominado pelo autor (Bert Hellinger) como constelações familiares, esta poderosa ferramenta possibilita abordar qualquer outro tema para além dos familiares – profissional ou organizacional; educacional (escolas) ou emocional (intraindividual).

O princípio básico é a representação, por pessoas (representantes) ou objetos, dos elementos intervenientes em determinada questão, de forma a podermos ver e sentir a dinâmica presente nesse contexto. O princípio básico de criar relação com aquilo que estava “dentro” e que não podia ser “visto”. Por exemplo quando a questão é familiar representam-se os familiares do cliente, já quando a questão é profissional representam-se os colaboradores, e se for emocional representam-se as emoções – já que tudo decorre dentro de um sistema (familiar, organizacional, emocional, etc.).

É uma ferramenta extremamente útil para “olhar” a família e as relações de uma perspetiva mais consciente e ampla. Desse ponto de vista, podemos perceber a peça que faltava ou que causava limitação no tema, peça essa que, até então, ainda não tinha sido vista.

 

QUAL A SUA ORIGEM

Bert Hellinger é considerado, um pouco por toda a Europa, como o mais inovador e provocativo psicoterapeuta. Através da sua própria experiência pessoal, familiar e profissional, principalmente como missionário nas tribos Zulu, Bert Hellinger desenvolveu este método psicoterapêutico, com raízes no psicodrama, esculturas familiares, Gestalt, fenomenologia e outros tantos contributos.

Estudou psicanálise e desenvolveu um interesse especial pela Terapia Gestalt e Análise Transacional. Foi no decurso da sua formação em terapia familiar, que Hellinger contactou com as Constelações Familiares, que acabaram por se tornar na imagem de marca do seu trabalho terapêutico.

No seu processo, descobriu que a consciência não é o juiz do certo e do errado, mas está ligada a certas ordens pré-estabelecidas, as quais denominou de Ordens do Amor ou Ordens de Origem.

O desenvolvimento do seu trabalho levou-o a descobertas sobre a natureza do vínculo e da ordem dentro dos grupos humanos e de como o “amor cego” e as necessidades de vínculo, ordem e compensação podem estar subjacentes às tragédias familiares, nomeadamente ao suicídio, acidentes ou doenças graves.

É autor de dezenas de livros, muitos traduzidos para português. Ministra palestras e cursos um pouco por todo o mundo.